Protoplaneta que formou a Lua pode estar escondido no manto da Terra

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Colisão de um protoplaneta com a Terra pode ter dado origem à Lua. (Foto: Canva Pro)

Protoplaneta que formou a Lua pode estar escondido na forma de bolhas no interior da Terra. Na verdade, trata-se de restos do protoplaneta que colidiu com a Terra há 4,5 bilhões de anos e ajudou a formar a Lua.

Isso é o que diz um estudo comandado pelo geocientista Qian Yuan, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, que foi publicado este mês no periódico científico Nature Climate Change.

Protoplaneta que formou a Lua pode estar escondido na forma de bolhas estranhas no manto da Terra

Assim, o trabalho indica que pedaços do protoplaneta do tamanho de Marte que atingiu a Terra ainda estão presentes no manto do nosso planeta em forma de duas bolhas estranhas que têm intrigado os cientistas.

Essas bolhas são chamadas de grandes províncias de baixa velocidade de cisalhamento (LLVs). 

Além disso, os pesquisadores perceberam que no local onde se encontram essas bolhas (pedaços do protoplaneta) as ondas sísmicas se movimentam em um ritmo mais devagar  com relação ao restante do manto ao redor.

Desse jeito, isso sugere que existe uma diferença de composição química, densidade e temperatura dessas bolhas com relação ao manto.

Além disso, essas duas bolhas juntas correspondem a 4% do manto, sendo que uma está localizada logo abaixo do continente africano e a outra está abaixo do Oceano Pacífico.

E de acordo com o autor do estudo, o impacto que formou a Lua possivelmente é a melhor explicação para a presença dessas duas bolhas ou pedaços de rocha.

Simulação para tentar entender como se deu a incorporação dos pedaços do protoplaneta

E para tentar entender como se deu a incorporação dos pedaços do protoplaneta, os pesquisadores realizaram uma simulação do impacto da formação da Lua.

Dessa maneira, os resultados mostraram que os pedaços resultantes do protoplaneta que colidiu com a Terra, foram incorporados gradualmente ao manto do nosso planeta.

A partir daí, como os pedaços de rocha são 2,5% mais densos que o manto, estes fragmentos afundaram e solidificaram antes de se instalarem na região inferior do manto da terra, mas não alcançaram o núcleo. 

Isso condiz com o que temos de informação sobre as bolhas, que estão situadas a cerca de 2.000 km de profundidade. 

Missão Artemis pode ajudar na compreensão da origem das bolhas

De acordo com os cientistas, o impacto que gerou a lua possivelmente é a melhor explicação para a origem dessas bolhas presentes no manto da Terra.

Atualmente, os pesquisadores conseguem analisar o material dessas bolhas através das erupções vulcânicas que trazem para a superfície na forma de rochas vulcânicas alguns resquícios da composição dessas bolhas.

Além disso, como se sabe que parte do protoplaneta também originou a Lua, os pesquisadores querem comparar amostras da Lua com as das bolhas para descobrir se apresentam a mesma composição e assim confirmar a hipótese da formação do nosso satélite natural.

Assim, isso poderá acontecer na próxima missão tripulada à Lua com o programa Artemis, que trará amostras de camadas profundas do nosso satélite natural.

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