Needham e Spallanzani: o debate sobre a origem dos microrganismos

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Needham e Spallanzani mantiveram o embate científico sobre a teoria da geração espontânea ao longo do século XVIII. Dessa vez, a discussão estava relacionada ao surgimento dos microrganismos.

Mesmo com o experimento de Redi, um século antes, o debate sobre a teoria da abiogênese continuou.

Na ocasião, Francesco Redi (1626-1697) que não acreditava na geração espontânea, desenvolveu experimentos criteriosos para derrubar a ideia da abiogênese muito defendida por alguns cientistas e também pela opinião popular.

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Nos experimentos ele provou que as larvas sempre vistas sobre pedaços de carnes em putrefação eram resultado de ovos postos por moscas.

Inclusive, já fiz um artigo sobre o assunto aqui no Biologia Digital, veja abaixo.

LEIA MAIS: O Experimento de Redi foi o primeiro a tentar descartar a Abiogênese

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Dessa forma, a vida não surgia espontaneamente, mas sim, através de progenitores da mesma espécie.

No século seguinte (XVIII) após o trabalho de Redi, o debate permaneceu, só que dessa vez, a um nível celular.

Needham e Spallanzani: debate sobre a abiogênese a um nível celular

Com o trabalho de Redi, que mostrou evidências científicas de que os seres vivos surgem a partir de seres de sua mesma espécie e não espontaneamente da matéria inanimada, a teoria da abiogênese, perdeu terreno de vez, certo? Errado!

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A discussão ganhou novos capítulos principalmente com a ebulição da microscopia no final do século XVII.

Antonie van Leeuwenhoek (1632-1721), um cientista amador e bastante competente, construiu e aperfeiçoou diversos microscópios.

Leeuwenhoek, que era contrário ao pensamento da abiogênese, observou e registrou fantásticos seres microscópicos, que ele batizou de “animálculo”.

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Essas criaturas eram:

  • Bactérias;
  • Células de plantas;
  • Células de animais.

Mesmo amador, ele fez muitas contribuições para a biologia celular e é considerado o pai da microbiologia.

As notícias sobre esses seres celulares, chamou a atenção de cientistas e da população na época.

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Você já pode imaginar o que aconteceu né?! Muita gente não soube explicar como seres tão pequenos poderiam surgir de outros seres preexistentes.

Assim, a teoria da geração espontânea voltou com força total. Dois pesquisadores travaram um duelo científico sobre o assunto que repercutiu bastante: Needham e Spallanzani.

O inglês John Needham (1713-1781), adepto da teoria da geração espontânea criticava Leeuwenhoek, que era contrário.

Needham, parecia inconformado com a descoberta das criaturas microscópicas e acreditava que estas só podiam surgir espontaneamente a partir da matéria sem vida.

Assim como Leeuwenhoek, Needham sabia que com altas temperaturas os minúsculos seres deixam de existir.

Então o cientista inglês construiu seu experimento.

Os experimentos de Needham e Spallanzani

Os experimentos de Needham para explicar a existência de seres microscópicos envolveu frascos e um caldo nutritivo de carne.

O experimento de Needham

O cientista separou diversos frascos e aqueceu caldo de carne por 30 minutos até o ponto de fervura e vedou com rolhas.

A fervura foi para eliminar microrganismos já presentes no caldo.  Após a fervura, Needham deixou os frascos selados por diversos dias.

Depois desse tempo, o pesquisador notou a presença de microrganismos e concluiu que as criaturas microscópicas surgiram espontaneamente graças a “força vital”.

O experimento de Spallanzani

No entanto, o cientista italiano Lazzaro Spallanzani (1729-1799), não ficou satisfeito com os resultados dos experimentos…

E entendia que os microrganismos foram transportados pelo ar até o caldo e que a fervura e vedação não foram adequadas.

Para demonstrar, Spallanzani refez os experimentos. A diferença é que ele vedou hermeticamente a metade.

No total ele utilizou oito frascos com caldo de carne, os ferveu por 30 minutos. Quatro desses recipientes, ele vedou com rolha de cortiça, assim como Needham.

Os outros quatro ele fez uma vedação hermética, ou seja, um tipo de vedação que não permitia a entrada/saída de ar.

Essa vedação hermética foi possível devido ao derretimento dos gargalos dos frascos.

Spallanzani ferveu os caldos novamente, detalhe, os ferveu por mais tempo.

Depois de algum dia, o resultado foi:

  • 4 frascos fechados com rolhas – foi percebida a presença de microrganismos;
  • 4 frascos hermeticamente fechados – NÃO foi notada a presença de seres microscópicos.

Dessa forma, Spallanzani concluiu que as criaturas microscópicas não surgem de forma espontânea por causa da “força vital”…

Mas, na verdade, são esporos de microrganismos (fungos ou bactérias) que são levados pelo ar e entram no caldo, contaminando a solução.

Com isso, Lazzaro Spallanzani, acredita que Needham não vedou os frascos corretamente, o que teria permitido a entrada dos micróbios.

E segundo, Spallanzani, Needham também não teria fervido tempo suficiente para exterminar previamente todos os microrganismos do caldo.

Mesmo com o experimento de Spallanzani, a controvérsia continuou

A disputa entre Needham e Spallanzani persistiu um bom tempo.

Isso porque Needham afirmou que o longo tempo de fervura teria destruído a “força vital” que seria o princípio fundamental para o surgimento da vida a partir da matéria sem vida.

Desse jeito, Spallanzani decidiu quebrar os gargalos dos frascos que foram hermeticamente fechados…

Para provar que o tal do “princípio vital” continuava lá dentro e que mesmo assim, a vida não surgia espontaneamente da matéria inanimada, que nesse caso era o caldo de carne.

Needham, não se deu por vencido e alegou que o “princípio vital” não tinha sido totalmente deteriorado…

E que quando Spallanzani quebrou os gargalos, a entrada de ar fresco ajudou a restabelecer tal princípio ou força vital.

Com isso, a discussão não terminou.

Conclusão

Nesse artigo você conheceu um pouco sobre os experimentos de Needham e Spallanzani.

Além disso, percebeu como que funciona a construção do conhecimento científico.

Ou seja, normalmente são necessários anos, décadas ou até séculos e também muitos experimentos para que novas descobertas sejam aceitas pela comunidade científica.

De todo modo, a ciência é erguida por um trabalho conjunto, uma cooperação entre mentes brilhantes que dedicam sua vida para a edificação do saber científico.

E, claro, a controvérsia entre Needham e Spallanzani sobre o surgimento dos microrganismos só terminou tempos depois, com os experimentos de pasteur.

Se tiver alguma dúvida, basta me procurar lá no meu instagram, @professorleandrosinis.

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Leandro Sinis, além de ser o CEO do Biologia Digital, traz consigo uma bagagem valiosa como biólogo e divulgador científico, graduado pela renomada Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Sua paixão pela ciência e pelo compartilhamento do conhecimento o impulsiona a liderar esta plataforma com dedicação e expertise. Para entrar em contato com Leandro, envie um e-mail para: leandrocarsi89@gmail.com

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